A minha relação com os Reis Magos me conduz à minha adolescência. Na casa de Tia Maria, uma amiga muito próxima da família, íamos a cada ano participar da Celebração dos Santos Reis Magos, como fazemos até hoje. Há momentos de oração diante da mesa posta com frutas, bolos, salgados à base de peixe, grãos, água perfumada, vinho e refrigerantes. No centro dessa mesa, a cena do Presépio, inventado em forma de encenação na Idade Média por São Francisco de Assis . Há referências aos presentes trazidos pelos Magos: o ouro é representado pela fartura dos alimentos e a riqueza das relações afetivas (parentes, amigos e vizinhos presentes); o incenso é aceso à meia-noite (do dia 05 para o dia 06), antes de iniciarmos; e a mirra se faz presente na água perfumada, bebiba por todos no final.

Em preparação para este momento sagrado, comecei a pensar nos Magos e na sua ADORAÇÃO a Deus. E estou pesquisando essas relações com a Alquimia e a Arteterapia. Enfatizo que as conexões fazem parte de questões íntimas, daquilo que me toca o coração, do movimento sensível, pois não encontrei nenhum trabalho sobre a Alquimia e a Arteterapia tendo como objeto de estudo os Magos. Estou ainda iniciando pesquisa com trabalhos de Patrícia Pinna, Giancarlo Schmid, Lígia Diniz e outros autores que trarei posteriormente como referências bibliográficas, além dos links (é só clicar sobre os nomes). Neste momento estou postando aqui no meu SELFBLOG as primeiras impressões e já peço desculpas aos que possuem mais conhecimento, caso tenha viajado muito.
A alquimia, datada do primeiro século A.C. foi desenvolvida durante quinze séculos, influenciando a ciência (física, filosofia, literatura) e as religiões. Consistia na transmutação de metais para a obtenção do ouro. Em seus estudos, Jung percebeu que a individualidade humana estava representada na simbologia alquímica, na qual o ouro significa a conquista da imortalidade. Ele entendeu que essa transmutação correspondia ao processo de individuação, à busca pelo tesouro oculto, encontrado por meio de um profundo diálogo interior e honesto entre o nosso inconsciente e a nossa consciência. Mas o que exatamente Alquimia e Individuação têm a ver com Epifania (manifestação do Menino Deus ao mundo), celebração dos Magos, comemorada hoje, 06 de janeiro?

Em preparação para este momento sagrado, comecei a pensar nos Magos e na sua ADORAÇÃO a Deus. E estou pesquisando essas relações com a Alquimia e a Arteterapia. Enfatizo que as conexões fazem parte de questões íntimas, daquilo que me toca o coração, do movimento sensível, pois não encontrei nenhum trabalho sobre a Alquimia e a Arteterapia tendo como objeto de estudo os Magos. Estou ainda iniciando pesquisa com trabalhos de Patrícia Pinna, Giancarlo Schmid, Lígia Diniz e outros autores que trarei posteriormente como referências bibliográficas, além dos links (é só clicar sobre os nomes). Neste momento estou postando aqui no meu SELFBLOG as primeiras impressões e já peço desculpas aos que possuem mais conhecimento, caso tenha viajado muito.
A alquimia, datada do primeiro século A.C. foi desenvolvida durante quinze séculos, influenciando a ciência (física, filosofia, literatura) e as religiões. Consistia na transmutação de metais para a obtenção do ouro. Em seus estudos, Jung percebeu que a individualidade humana estava representada na simbologia alquímica, na qual o ouro significa a conquista da imortalidade. Ele entendeu que essa transmutação correspondia ao processo de individuação, à busca pelo tesouro oculto, encontrado por meio de um profundo diálogo interior e honesto entre o nosso inconsciente e a nossa consciência. Mas o que exatamente Alquimia e Individuação têm a ver com Epifania (manifestação do Menino Deus ao mundo), celebração dos Magos, comemorada hoje, 06 de janeiro?
A troca de presentes no Natal é uma tradição que surgiu a partir dos Magos do Oriente que presentearam o Menino Deus com incenso, mirra e ouro. Há muito a se falar sobre esses “conselheiros”, "astrólogos", "astrônomos", "sábios", “pastores”, “santos”,“reis” e muitas controvérsias, mas detenho-me a perseguir suas pegadas no sentido de aprender com eles o caminho do autoconhecimento, da individuação.
De acordo com São Beda, no seu tratado Excerpta et Colletanea, podemos cogitar que os magos são a imagem do encontro de gerações, representam juventude, maturidade e velhice, fechando o ciclo da vida com a infância do Menino Jesus. Segundo ele “Melquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas... Gaspar era moço, de vinte anos, robusto... E Baltasar era negro, de barba cerrada e com quarenta anos...” Considerando a alquimia e suas operações, relacionadas ao crescimento psíquico, Giancarlo Schmid elencou os sete procedimentos utilizados. Tentarei fazer uma breve e despretenciosa analogia entre estas operações e o caminho percorrido pelos magos, descrito na bíblia católica, no livro do apóstolo Mateus, no sentido de empreendermos mais um itinerário de individuação que nos auxilie em nosso processo.
| FOTOMANDALACURSO - imagem de Patrícia Pinna |
Iniciamos com o significado dos nomes dos magos. Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”, examinar com ATENÇÃO; Melquior quer dizer “Meu Rei é Luz”, ILUMINAÇÃO, radiação, claridade, brilho, inteligência; e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”, manifestação, REVELAÇÃO. É curioso notar a presença do feminino. Embora estejamos nos referindo a homens, os magos estão representados por conceitos femininos, nos quais vejo referências à doce presença daquela que acolheu primeiro o Menino: a Virgem Maria, figura arquetípica da Grande Mãe, como que indicando que o grande mistério da individuação está intimamente ligado ao feminino. Assim como a palavra EPIFANIA, que não somente significa MANIFESTAÇÃO, mas Bifana. A Bifana, segundo as tradições dos povos mediterrâneos, era uma velha que, no dia de Reis, saía pelas ruas da cidade a entregar presentes aos meninos que tivessem sido bons durante o ano que findara. Seria uma Mamãe Noel? Penso que é a VIDA, premiando a nossa Sabedoria pela escolha da Pureza de Coração!
Vejamos agora a história dos magos e a seguir uma reflexão à luz da alquimia e do processo de individuação, o caminho realizado por nós, tendo a consciência como ponto de partida em direção ao nosso Eu mais profundo. Eis o poético texto:
"E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém, perguntando: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos a adorá-lo. E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele.E, congregados todos os príncipes dos sacerdotes, e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Cristo.E eles lhe disseram: Em Belém de Judéia; porque assim está escrito pelo profeta:E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; Porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel.Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera.E, enviando-os a Belém, disse: Ide, e perguntai diligentemente pelo menino e, quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore. E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles, até que, chegando, parou sobre o lugar onde estava o menino.E, vendo eles a estrela, regozijaram-se muito com grande alegria.E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.E, sendo por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho.” (Livro de Mateus 2,1-12)
2. "...no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém..." Solução/Solutio, um dos principais procedimentos da alquimia que transformava um sólido num líquido. Era como se o sólido tivesse sido engolido pelo solvente e significava o retorno da matéria diferenciada ao seu estado indiferenciado (matéria prima). A atitude dos magos representa uma mudança de valores, deixam tudo que já estava estabelecido para seguir a luz, a estrela, num tempo frio, duro. Este procedimento convida a um mergulho dentro do si-mesmo. O inconsciente vai fluindo, emergindo e desfazendo o que já se encontrava estabelecido e solidificado pelo Ego.
3. “...perguntando: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no oriente...”. Coagulação/Coagulatio é o resfriamento e mudança do líquido para sólido, pois um sólido dissolvido num solvente reaparece quando o solvente é evaporado. Os magos manifestam, materializam ao “mundo” , representado por Herodes, a PRESENÇA do Menino Deus nascido. Em nós, a nossa busca se intensifica com os nossos questionamentos perseguindo a luz que, longe, já aparece, embora distante ainda, vai se concretizando.
4. “e viemos adorá-lo”. Sublimação/Sublimatio. Há a transformação da matéria em ar. O termo "sublimação" vem do latim sublimis, e significa ELEVADO. Isso indica que a substância se sutiliza a partir de um movimento ascendente. A consciência do desejo de adoração dos Magos, é um gesto específico que ainda não atingiu o seu fim, mas pela profundidade da afirmação "E VIEMOS ADORÁ-LO" significa a expansão da nossa percepção do si-mesmo. É um “estou aqui”, mesmo que esse estar seja um olhar para o todo, com uma intenção específica de elevação do Eu.
5. “...E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele.E, congregados todos os príncipes dos sacerdotes, e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Cristo.E eles lhe disseram: Em Belém de Judéia; porque assim está escrito pelo profeta:E tu, Belém, terra de Judá, De modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; Porque de ti sairá o Guia Que há de apascentar o meu povo de Israel.Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera.E, enviando-os a Belém, disse: Ide, e perguntai diligentemente pelo menino e, quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore...” Mortificação/Mortificatio é o estágio nigredo, o escurecimento da matéria, é a morte da matéria sem referência química sobre essa operação, literalmente é a "morte" da matéria. Segundo Schmid, a putrefactio (estado pertinente a essa operação) é a decomposição que destrói corpos orgânicos mortos (os alquimistas também faziam experiências com material orgânico). É preciso entrar em contato com a sombra, com a morte para uma nova vida. Herodes, que desejava matar o Menino, e Jerusalém aqui representam a negação da Verdade do processo, o medo de irmos além ao encararmos a escuridão. É a dor dos sofrimentos inevitáveis.
6. “...E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles,...”Separação/Separatio é a separação dos elementos, a destilação ou extração da substância, operação decisiva para atingir a conclusão da opus alquímica. O impacto do processo é necessário para melhor aproveitamento da substância pura. É preciso estar atentos ao self, o centro, “o rei” e não fugir da sombra, mas retomar o caminho, como os magos, significa a continuidade do processo, seguir a estrela, a luz, é fundamental para a realização do último momento.
7. “até que, chegando, parou sobre o lugar onde estava o menino.E, vendo eles a estrela, regozijaram-se muito com grande alegria.E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.E, sendo por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho.” Encontro/Coniunctio, o ponto culminante, o encontro das substâncias opostas para se atingir a fusão ideal da coroação do trabalho alquímico, o ponto culminante, harmonia dos opostos. A estrela parou, chegou ao seu destino. Os magos respiram e continuam: entram na casa e vislumbram o Menino Deus em sua pureza e desconforto da manjedoura. Ele não está sozinho (humanos, animais, plantas, cosmo). Ao adentrarem na casa, os magos anunciam a passagem para a concretização do processo, a emoção de estar chegando ao final do processo. Eles então o adoram. Há uma manifestação ambígua: noite/luz, comunhão com a natureza e reclusão do mundo, doçura inocente e aspereza do lugar onde a criança é colocada, novidade e tradição...Primeiro o impacto de chegar (adoração e ofertas), segundo a plena consciência de, conhecida a VERDADE, seguir pelo caminho correto. E este caminho, contrário ao anterior, é a vida nova, conquistada a partir do conhecimento empírico, da experiência íntima do autoconhecimento.
Ao final do processo, seremos donos de nós mesmos. Contudo, isso acontecerá de modo conflitante, pois poderemos assumir não só a postura dos magos, mas as atitudes dos outros personagens podem ser latentes, numa dinâmica desafiadora. Posteriormente, pretendo tentar destrinchar a persona de cada um, incluindo a figura sombria do rei Herodes, e o que o significado dos presentes dos Magos nos dizem de importante. Por enquanto, é só.
Ao final do processo, seremos donos de nós mesmos. Contudo, isso acontecerá de modo conflitante, pois poderemos assumir não só a postura dos magos, mas as atitudes dos outros personagens podem ser latentes, numa dinâmica desafiadora. Posteriormente, pretendo tentar destrinchar a persona de cada um, incluindo a figura sombria do rei Herodes, e o que o significado dos presentes dos Magos nos dizem de importante. Por enquanto, é só. 
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