Como tod@s sabem, estou no meu processo arteterapêutico e na semana passada foram acionadas muitas lembranças dolorosas. Memórias que me fizeram e ainda fazem sofrer bastante, mas que estão servindo para curar os padrões de autosabotagem. É como diz uma linda música que canto nos casamentos "...provado na dor, como ouro, provado no fogo pra poder se tornar, com o tempo, um belo tesouro tão raro no mundo!".
Pois bem, como essas lembranças remoeram-me a noite toda, não me deixando dormir bem, chorei muito, mas sem as terríveis dores de cabeça de outrora, graças a Deus. A muito custo consegui dormir. E ao acordar, pela manhã, senti um alívio, um consolo que minha espiritualidade chama de Consolo do Espírito. Nesse consolo...comecei minha oração diária e visualizei o seguinte:
A Mãe da Ternura, Nossa Senhora, entrava em meu quarto, chorando lágrimas de sangue. Carregava em seus braços o Cristo Chagado. Piedosa, colocava-o ao meu lado, do lado esquerdo da cama, o lado do coração. Observava o Corpo de Cristo e via que em sua extensão, não havia um espaço sem chaga e eram pequenas feridas circulares e ovais, todas muito homogêneas, feridas abertas. Seu rosto era muito piedoso e sereno, estava com os olhos entreabertos e trazia em suas mãos um belo ramalhete de lírios brancos, perfeitos, grandes e cheirosos, que Ele amorosamente me oferecia, colocando-o ao meu lado, na altura do peito. Ao colocar o Cristo ao meu lado, após um breve momento que parecia um tempo mais prolongado, a Mãe punha o Filho bebê, que também chorava as mesmas lágrimas de sangue que ela. E ficavam os dois: o Cristo adulto e o Menino. De repente entravam no recinto sagrado vários santos e santas. Estes espíritos puros traziam outros ramalhetes de lírios semelhantes aos de Jesus. Entravam, punham os lírios em volta de mim, na cama, ajoelhavam-se e, em silêncio permaneciam ali em profunda oração. Observei, por fim, que se tratava de uma imensa mandala, dentro da qual estávamos eu, Cristo e os lírios brancos, inscritos num grande círculo de santos e santas de Deus!
Minha leitura sobre isto? CONSOLO, AFETO, TERNURA, CARINHO, COMPREENSÃO, AMOR, SOLIDARIEDADE, COMPANHEIRISMO...de quem sofreu muito mais que eu e em sua DOÇURA TRANSMITE A CERTEZA SERENA DA RENOVAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO QUE A SUA PRESENÇA, POR MEIO DA ARTETERAPIA, CONCRETIZA EM MINHA VIDA. Agradeço.
Alexsandra em 16.08.2011
DIAMANTE NEGRO eu sou!
Como alguns sabem, passei o carnaval no Mosteiro da Escuta do Senhor, em Chã Grande/PE, próximo a Caruaru. Percebi q me divertia pouco e me estressava muito nas folias de Momo (que de tanta pressão já não é mais glutão!). Então fui aos beneditinos!
Eles rezam a Liturgia das Horas, orações das quais participava. À tarde, às 16h havia Adoração ao Santíssimo Sacramento e tbm participava. Foi então que, num desses momentos, visualizei uma gruta de cristlal, a qual não saía de minha cabeça. Então sonhei na mesma noite o seguinte:
Sonhei que estava num lugar escuro e que estava acompanhada por um homem cego, com uma lamparina/candeeiro aces@. Observando melhor, via que se tratava de São Francisco de Assis. Ficava maravilhada com tão santa presença e ouvi uma voz que eu identificava no sonho como sendo a voz de Deus, que me dizia: "Tu não achavas que o teu pai te deixava só? Eis que ele veio em teu auxílio!" De fato, senti-me aliviada e feliz. Mas olhando em volta, percebia que a escuridão do lugar era devida à poeira, quando senti um impulso de olhar para o teto. Então vi o sol. Amarelo e brilhante, olhar de frente para ele pareci reconfortante e em nada perigoso para meus olhos. Do sol, começava a cair uma água cristalina, que lavava as paredes da caverna. Em contato com a poeira, descia um líquido escuro e lamacendo até o chão, que saía por uma abertura, surgida de uma fenda vertical a nossa frente e um pouco à direita. Via três ratos muito pequenos fugindo e, na direção dessa abertura, via um lindo mar azul, de águas tranquilas. Sorria feliz. E ao voltar meu olhar para as paredes, via que toda a gruta era um imenso cristal. Exatamente à minha frente, via um diamante transparente, lapidado em forma de lágrima, medindo uns 15cm. Senti o impulso de retirá-lo da parede e o admirei. Ao observá-lo na direção da abertura da caverna, com o brilho promovido pelos raios do sol no diamante, a caverna se abria completamente, dando-nos acesso às pedras e ao mar. Nós descemos e mergulhamos no mar, que possuia um azul incrível! São Francisco mergulhava com o candeeiro que, em momento algum parecia molhado. Aliás, o próprio santo, com seu hábito marrom não se molhava, sempre ao meu lado sorrindo. Eu nadava como um golfinho e só senti medo de estar naquelas águas quando, observando a superfície, percebi uma fina crosta de gelo. A voz de Deus, sentindo o meu medo, dizia: "Não tenha medo. Vc pode quebrar a crosta e voltar a mergulhar quantas vezes quiser." E era isso q acontecia. Até q numa dessas vezes, observei na praia uma paisagem do lado direito. Uma pista de patinação em meio a árvores. O interessante é que a pista não era branca, mas negra e molhada, com 1cm de água acima da superfície, semelhante à pista do filme Branca de Neve e os Três Patetas, que assisti na infância. Um filme com tema natalino de um colorido perfeito. Não resisti e fui patinar. Sempre tive esse sonho: patinar. Tive patins, mas nunca consegui patinar. Agora tudo parecia tão simples e agradável! São Francisco sempre comigo.
| Esta imagem traz uma interpretação plástica do momento em que risco o chão. Utilizei tecidos sintéticos e rabicós roxos sobre uma placa de madeira. Muito legal asta obra! |
E ao riscar abriu-se uma rachadura no chão como num terremoto. O diamante adentrou um pouco, mas não caiu. E a voz falou: "Não tenha medo! Nada acontecerá de mal. Coloque-o no chão e veja o que acontecerá". Fiz. Então surgiu um ogro com um martelo de ferro, tosco, rude. Com uma expressão odiosa lançou um golpe contra a jóia. O martelo voltou com a mesma força e o atingiu. O ogro saiu correndo e gritando. A voz então falou: "Vê. Nada atingirá o diamante. Ele é precioso, inquebrável e perfeito"
Então eu o apanhei e contemplei sua beleza e seu brilho. Voltei à gruta e fiquei ali admirando-o e ouvindo a voz que cantava: "Inquebrável e perfeito".
Alexsandra, 14.03.20011.
CASTELO no meio do mar
Ontem participei de uma missa na Comunidade Shalom e, após o momento da comunhão eucarística, visualizei um imenso castelo no meio de um mar revolto. Era um castelo de pedras azuis (azul escuro) e as portas de madeira eram grandes. Era noite e as ondas do mar batiam contra o castelo, mas não havia qualquer sinal de submerção, apesar da tempestade. Eu sentia dentro de mim toda a dureza da matéria que constituia aquele castelo imponente, erguido acima daquelas ondas. De repente o homem de branco, Jesus, aparecia, e com as mãos erguidas acalmava o mar. Tudo clareava. Eu via as águas prateadas com reflexos amarelos e laranja. O sol no céu. Ele, Jesus, sorria tranquilo olhando nos meus olhos. O céu se abria num rasgo maior que o diâmetro do castelo, no sentido horizontal e derramava águas cristalinas, que molhavam o castelo por dentro e por fora. Nesse momento eu chegava perto e via as paredes de pedra brilhando e mudando de cor, como se tocasse uma música e as imagens acompanhando a música, que eu não ouvia, mas sentia. Eu exclamava interiormente: Nossa! São pedras preciosas! Lá dentro, uma caverna e um lago azul. Tudo muito límpido. Uma mulher de branco deitada olhava para mim sorrindo e eu sabia que se tratava da minha ALMA.
Como fiquei aliviada. Da sexta-feira para o sábado chorei muito e estava numa tristeza grande. Esta visualização, com outras que tenho e que trarei para este espaço, me aliviou. Sou muito ansiosa dos meus sonhos e muitas vezes o fato de as coisas não saírem como esperei causam-me angústia. Estava angustiada. Na homilia, o Padre Hélio refletia sobre As Bem-Aventuranças e citou "Felizes os que choram porque serão consolados" e como estava precisando de consolo! Também citou a música de Renatinho Russo, MAIS UMA VEZ, postada na página inicial de hoje por mim. Trago agora a reflexão sobre esse chorar encontrada no site correspondente à expressão grifada acima. Muito revelador da minha experiência:
"Tendo colocado o pé no caminho, o homem inicia sua espiritualização. Passa a sentir-se como um estranho no mundo material. As coisas do mundo não lhe dão mais a mesma satisfação e, não tendo ainda a consolação das coisas do espírito, chora e sofre! Neste momento o ser em evolução encontra-se em total desespero; sente-se abandonado. Saiu de um mundo mas não encontrou ainda outro. Muitos de nós nos encontramos neste estágio. Sentimos que existe um mundo maior, além do mundo, mas não conseguimos penetrar nele. Permanecemos presos ao mundo em que vivemos, aos seus valores. Por isto sofremos. Mas, exatamente devido a este sofrimento, somos impelidos a buscar o entendimento e a consolação. Buscando, certamente encontraremos — 'Busca e acharás'. A consolação está em todo canto; basta que tenhamos 'olhos de ver' Desta forma, a consolação está clara aqui nessas palavras do Evangelho — pelas quais já passamos tantas vezes sem nunca termos visto a consolação que existe nelas. Os que sofrem serão consolados!"
Quero esclarecer que minha intenção não é doutrinária, mas trazer sempre o meu processo de individuação a partir das minhas experiências psíquicas e espirituais. Engraçado como este trecho acima traduz a minha visualização em palavras. Vejo a expressão está em todo canto não somente o canto como lugar, mas como música mesmo, pois vivo cantando, como meus ancestrais, as alegrias e tristezas da vida estão em todo o meu canto. Sinto-me presa às estruturas, às minhas raízes, à minha família, ao lugar onde vivo. Abraço. Prisão. Tenho fome e sede de desprendimento e um desejo constante de mais aconchego. Essa sede e esse desejo se refletem nas minhas escolhas, especialmente na Arteterapia. E essas batalhas interiores causam muito sofrimento e incompreensão, mas encaro com responsabilidade comigo mesma. Tudo uma questão de tempo. Acredito que já alcancei tudo o que espero da vida e da morte, concretizando as conquistas dia-a-dia. Mas meu corpo atual quer colo agora! Paciência, como foges de mim!
Alexsandra, em 31.01.2011
