OBJETOS RELACIONAIS

Estudos de Linguagens Corporais com Cristina Lopes



Segundo Marcus Lontra, as mulheres e o seu fazer artístico, no Brasil, definem toda a história da arte brasileira. Somos nós as grandes contribuidoras para a construção de uma identidade nacional dentro das Artes Visuais, desde a arte indígena à contemporânea.


Nesse sentido Lygia Clarck, sem dúvida alguma, figura nesse universo como alguém que assumiu esse fazer como vivência de experiências sensoriais tão pulsantes que progressivamente tornou-se precursora de uma arte voltada para o si mesmo: a Arteterapia.


Casulo
Trepantes
Caranguejo Duplo, Série BICHOS
Com ela, o espaço pictórico auto-suficiente e fictício deu lugar ao "além moldura" em Superfície Modulada, nos anos 50 (série Unidades). O plano liso deu lugar ao espaço interior (Casulos, 1959, Livros Obra). O objeto estático pendurado na parede opõe-se ao grupo de planos móveis (Bichos, 1960). As faces opostas de um plano retangular deram espaço a uma só superfície móvel contínua (Trepantes,1964). Ao objeto para o olho, Lygia impõe o objeto para o TATO; ao metal rígido, a borracha flexível, criando um conjunto de objetos relacionais para TODO o CORPO.

Máscara Sensorial, 1967
Máscaras Abismo, 1968
Progressivamente Lygia vai desenfatizando o sentido visual da obra de arte. Ao interagir com a Obra Mole, Mário Pedrosa desabafa: "Finalmente, pode-se chutar uma escultura". Esta afirmação, embora possa soar grosseiramente, denota um aliviado desabafo, no sentido de livrar-se de uma sacralidade distanciada. Observando as Máscaras Sensoriais, percebe-se um nivelamento entre os sentidos da visão, audição e olfato. Já nas Máscaras Abismo a visão bloqueada chama a atenção para o CORPO, denunciando que o espaço precisa ser vivido, de forma sensual, não somente representado. Em Arquiteturas Biológicas as experiências já caminham para a concretização dos Objetos Relacionais, a arte assumida no contexto terapêutico.


Arquiteturas Biológicas, 1969


Torna-se relevante comentar, embora não possua mais as fontes figurativas, a possível referência que a artista possa ter buscado nas calcogravuras do artista espanhol Francisco di GOYA e Lucientes. Em 2006, realizei pesquisa sobre o trabalho de Lygia quando do meu estágio curricular no Colégio de Aplicação da UFPE. Acidentalmente, foleando um catálogo referente à exposição de Goya no MAMAM, encontrei entre as gravuras deste artista, uma muito semelhante aos trabalhos Máscaras Sensoriais e O Eu e o Tu.

O Eu e o Tu, 1967
MEUS TRABALHOS

Após a vivência do Grande Colchão:

1. Primeiro participei rebendo a massagem. Senti inicialmente muitas cócegas e relembrei a infância. Depois lembrei das cócegas que minha mãe faz quando massageia meus pés hoje em dia. Por fim, relaxei e senti um prazer imenso com o tecido nas costas e as bolinhas de isopor! Não fiquei cansada, antes muito aliviada. Logo ao término desse momento, registrei rabiscos e lembrei a Noite Arteterapêutica ministrada por Mila (como não estou conseguindo postar aqui a imagem, ela pode ser vista na página Noites Arteterapêutiacas, em postagem anterior). Era uma sensação de liberdade e fluidez!Como passo muito tempo sentada diante do computador, fico com dores nas costas e a fricção do saco com as bolinhas de isopor me refez. Depois compus o seguinte poema:

ACORDANDO O CORPO

AH! QUE PRAZER!
COMO É BOM SENTIR-TE, OH, CORPO MEU!
COMO ÉS PRAZEROSO!
GOSTOSO! SABOROSO!
A CADA DIA O TEU OPOSTO ME ATRAI...
E É BOM SABER-ME PASSÍVEL DE EXPERIÊNCIAS DE AMOR
VIVA
HUMANA
CRIANÇA E MULHER...
SAGRADO.

2. Depois, mesmo sendo legal poder fazer alguém sentir-se cuidado como eu senti, a experiência foi um pouco cansativa. Mas observar o saco com as bolinhas inscritas e a gente controlando os movimentos no corpo de alguém transmite segurança. Como as bolinhas são fluidas, causam a sensação de totalidade, com a certeza de ter massageado a pessoa por inteiro, de ter dominado de forma positiva a "operação". Enquanto no primeiro momento senti flutuar, no segundo senti o chão, a terra, como um grounding, numa conexão consciente com o solo. Como registro de imagem, trabalhei ainda com os rabiscos, só que de um modo mais suave que o anterior. Quando a deusa antipática dos internautas permitir, porei a imagem aqui.

PEDRA E AR
(estou tentando postas as imagens, mas não param de carregar!)

Após o movimento com a PEDRA e o saco PLÁSTICO preenchido com o nosso oxigênio, produzi um poema sobre a pedra, modificado posteriormente e postado na página inicial com o título DECLARAÇÃO DE AMOR ENTRE A PEDRA E O PLÁSTICO, no qual nada foi retirado, apenas acrescentado. O poema fala da relação harmoniosa entre os dois materias distintos e daquilo que os aproxima: o AMOR. acredito que apenas ele, o amor, é capaz de produzir a grande absurdo da VIDA, que é a FELICIDADE. Como postado na página inicial, descobri que as pedras têm sua plasticidade e que o plástico também pode ser orgânico. As variadas dimensões das letras dão o tom da personalidade e emotividade dos dois. É um diálogo que fala aceitação, de tempos remotos e dos variados selfs, pois o lugar comum de cada material é revisto, repensado, próprio da dinâmica da vida. Somos vários...
Lembrando que Xela é o título do desenho que consta do cabeçalho deste blog. Trata-se de uma vivência da disciplina Fundamentos da Arteterapia. XELA é o fragmento do meu nome ao contrário (Alexsandra). xelA sou eu. Quatro letras. Terra. África.




Declaração de amor entre o plástico e a PEDRA

Não és tão dura
Não és tão rígida
Densa Forte
És pedra
Um ser que ama e sofre
das urgências minhas
Pedra
vais e vens tantas vezes
vai
e traz o meu amor de volta
Vem
e que recomecemos
do ponto do desencontro
Pedra Amiga
ele chora e pede por mim, eu sinto!
Toca em seu corpo e o acorda
pois ele é tão rígido, tão rígido.
(ele sou eu com meu organismo
sintético e secular
Trago comigo a felicidade de amar
me descobri contigo
existo e posso respirar,
acariciando o teu corpo firme,
faço-te dançar
conectados ao terceiro elemento: as mãos dela
xelA...)

- Te amo, menino!
Inquebrável
Impermeável
Leve 
Transparente
És o meu deus grego:
Plastikós
adequado à moldagem.
Por tudo isso
e tanto mais que és
sempre te amei!
Eu
Desde os remotos tempos
Tua PEDRA.

Diálogos com as mãos e RELAXAÇÃO

Não lembro mais a qual momento a pintura do ovo está ligada. Só sei que foi muito legal, tribal, ancestral e, por tudo isso agradável. Utilizei técnica mista: pintura e colagem, ovo e papel, tintas e cola quente. Bem, eu creio que numa manhã ensolarada, a minha internet 3G que atende pelo nome nada terapêutico de TIM WEB, aceitará Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador e se transformará numa doce e solidária jovem. E eu, certamente conseguirei postar meus trabalhos sem o STRESSSSSSSSSSS QUE EXPERIMENTO AGORA!!!
Oba!!!Consegui!





ESTRUTURAÇÃO DO SELF

Não participei dessa vivência, mas me comprometo em realizá-la com alguém do grupo (Muira ou Edna Teles).

Referências Bibliográficas

HERNANDEZ, F. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2000. p. 164 a 174.
CLARCK, Lygia; ROLNIK, Suely. Objeto relacional. In: Lygia Clarck ( Rio de Janeiro: FUNARTE, coleção ABC, 1980. p. 51.
Destemperos à parte, continuarei minhas pesquisas clarckeanas.