CORPO&MOVIMENTO

Linguagens Corporais com Maria Eduarda Buarque


Segundo Laban, o movimento possui uma gramática com cinco aspectos básicos: CORPO, sujeito da ação (por partes); AÇÃO, verbo do movimento (o movimento em si); DINÂMICA, forma (colorido, textura); ESPAÇO, que é pessoal (lugar do movimento) ; e RELAÇÃO, com que ou quem. Laban elencou estes aspectos respondendo a quatro questões. São elas: 1. Que parte do corpo se move?; 2.Quais as direções desse movimento?; 3. Em que velocidade ele é processado?; e 4. Qual o grau da energia muscular empregada?

VIVÊNCIAS

O OLHAR E O MOVIMENTO. Para mim, o movimento é a poesia do corpo e o próprio corpo, o suporte onde escrevemos e inscrevemos a nossa vida. Olhar indica a relação e a dinâmica do viver.

ACORDAR AS PARTES DO CORPO NO CHÃO. Esse exercício expressou uma ação essencial para que eu pudesse amar meu corpo de modo mais intenso, significativo, respeitando sua estrutura física e óssea. Foi um contato no qual o meu corpo falou muitas coisas. A poesia aconteceu, de modo gestual. Ouvi.

DIÁLOGOS COM O CORPO DO OUTRO. Realizei estes diálogos corporais inicialmente com Ricardo e foi muito bacana. Os dois muito abertos, entregues ao que os nossos corpos falavam. O nosso espaço pessoal criou uma dinâmica, onde a ação verbalizou o nosso prazer de estarmos ali, simplesmente existindo.

No momento em que dialogamos com a mão, deixei Ricardo e fui para Mila. Impressiona o prazer que eu sinto em olhar as mãos dela e o seu sorriso cativante. Remetem à infância, às mãos gostosas das culinaristas, de quem mexe com comida e faz bem feito. Sinto como se eu fosse um doce sendo preparado. Isso direcionou a minha ação porque dessa vez, fui eu quem a tocou com a mão, numa atitude de gratidão. Já o momento que GG conversou com o meu corpo com sua mão, assim que ele me tocou, percebi que era ele. Engraçado como mesmo de olhos fechados, reconhecemos os colegas de curso pela dinâmica das suas ações, a cor e a textura que comunicam. Percebo, a cada movimento como é importante falarmos com os outros sentidos, pois sobrecarregamos os olhos como se pudéssemos ver o mundo com eles. Minha consciência corporal está aguçadíssima, a partir desta pós, e as disciplinas de Análise Bioenergética e Linguagens Corporais são responsáveis por este renovo em mim. Os trabalhos em grupo também ressocializam, tiram a máscara de uma ressocialização imputada ao outro, ao "problemático" (dependentes químicos, "meninos de rua", "crianças em situação de risco", "comunidades carentes",etc.), usando de termos e expressões rígidos que adoecem a mente e deformam o corpo. Toda pessoa precisa se comprometer com a sua própria ressocialização, incorporando o movimento natural e transpessoal da vida, e estas vivências em grupo reafirmam o meu pensamento enquanto pessoa, mulher negra e ATTP em formação.


MOVIMENTOS ARQUETÍPICOS DE ABRIR E FECHAR. Realizando esses movimentos, senti como uma árvore humana, ativando a memória ancestral, numa reconexão impressionante!.
OBJETO SIGNIFICATIVO.Levei para esse momento uma foto que traz um momento lindo entre eu, mamãe e Tia Lena, num aniversário meu. Vou tentar postar, mas como essa insuportável diarista virtual, a NET, parece uma mulher despeitada e mal-amada, só aceitando as imagens que ela mesma traz no google, vai ficar difícil! Mas vou tentar num outro momento. A expressão que veio nessa vivência, foi vivida com Biba (Fabiana Guimarães). Foi um momento de contraste e hamonia, ela como mãe (o objeto trazido por ela estava relacionado à sua filha) e eu como filha, trazia minhas mães. Simplesmente lindo!

Tia Lena, Eu e Laury, minha mãe, no meu aniversário.

EXPRESSÃO PLÁSTICA INDIVIDUAL E FINALIZAÇÃO EM GRUPO. Houve uma produção plástica com desenho tamanho A3 e lápis de cor. Meu desenho foi mais uma continuidade das imagens feitas na Noite Arteterapêutica, quando desenhei fetos. Na aula, o feto surgiu novamente, numa junção com a árvore e a semente, imagens que o inconsciente traz pelo desejo pessoal de ser mãe. Mas isso é um processo complicado...Por enquanto, só desenhos e corpos em movimento, até que o meu self se estruture!Quanto à mandala de finalização, não gostei muito porque achei caótica, mas o movimento corporal empregado para a construção da mandala foi fantástico, denunciando que o processo, na maioria das vezes, torna-se bem mais significativo do que o resultado da produção artística. É o CORPO e não somente mão e mente.





Referências Bibliográficas

LABAN, Rudolf.1879-1958 - Domínio do movimento. Ed. organizada por lisa Ullmann. São Paulo: Summus, 1978.
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. Petrópolis: Vozes, 1987.
PEREIRA, Paulo. Reflexões sobre movimento e imagem. [Texto retirado do livro Corpo e Individuação/Elizabeth Zimmermann (organizadora). Petrópolis: Vozes, 2009.