TEATROTERAPIA

 Linguagens Corporais e as vivências ministradas por Patrícia Barreto

Uma vivência muito especial foi o momento da expressão coletiva a partir do objeto que remetia à memória afetiva, considerando que "a história do teatro é ancestral". O meu objeto foi o anjinho negro, cuja história foi escolhida para a encenação do nosso grupo, que foi o quinto a se apresentar. Adquirido anos atrás numa viagem à Aparecida do Norte/SP, o anjinho foi um presente dado a mim por mim mesma. Na ocasião, procurava um objeto para me presentear e ao vê-lo, automaticamente recordei as histórias que minha Tia Lena, na época já falecida, contava sobre um indiozinho com o qual ela sonhava, que segundo ela tinha um cocar, usava uma tanga, ou seja,  um curumim, e era a cara dela.


Quando nos reunimos no grupo, contei esta história e acabei contando outras de visões que ela tinha quando doente, já perto da morte. Foi o suficiente para o grupo escolher parte da vida da minha tia como conteúdo para a encenação psicodramática proposta.






Eu deitada, interpretando Tia Lena




Foi muito lindo rever as pessoas representadas na encenação porque o teatro, como nos fala Boal "é uma forma de comunicação poderosa..." e pude entrar em contato com questões relacionadas à minha formação humana, aos meus afetos, à minha família querida e à pessoa responsável pela minha educação, que me passou valores verdadeiros, assim como mamãe: minha amadíssima Tia Lena.


Os momentos vivenciados com o teatroterapia me deixaram mais solta, do ponto de vista da dramaturgia como recurso arteterapêutico. Havia me inscrito na oficina de teatroterapia do III Congresso Nordestino, mas não houve a oficina por questões desconhecidas por mim. No entanto, o curso, através da disciplina de Linguagens Corporais proporcionou uma desenvoltura que eu nem esperava de mim mesma. O tema delicado, minha timidez...porém a interação do grupo foi fundamental! Agradeço a química boa da equipe: GG, Patrícia, Ricardo, Samara e Valéria, que me interpretou e de uma maneira leve, suave e muito afetuosa, envolta em meus escritos e leituras.

Na última quarta-feira, dia 15/12, postei o vídeoclip Dona Cila, de Maria Gadú, cuja música o nosso grupo utilizou na vivência. Trata-se de uma homenagem que a cantora e compositora fez à sua avó, cantora lírica já falecida. Providentemente, GG estava com o cd na bolsa e percebeu a semelhança das duas histórias. Não conhecia a música, mas me identifiquei perfeitamente!Transcrevo-a logo abaixo.


Finalizo com a imagem de um momento muito fofo da minha tia fantasiada no carnaval, para o desfile do Banhistas do Pina. Lindo registro!
Tia Lena fantasiada para o desfile do bloco lírico Banhistas do Pina




Neuza Borges como D. Cila
foi a escolha perfeita!

Dona Cila

Maria Gadú

De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh'alma da vida
Sorrindo e fazendo o meu eu

Se queres partir ir embora
Me olha da onde estiver
Que eu vou te mostrar que eu tou pronta
Me colha madura do pé

Salve, salve essa nega
Que axé ela tem
Te carrego no colo e te dou minha mão
Minha vida depende só do teu encanto
Cila pode ir tranquila
Teu rebanho tá pronto


Teu olho que brilha e não para
Tuas mãos de fazer tudo e até
A vida que chamo de minha
Neguinha, te encontro na fé

Me mostre um caminho agora
Um jeito de estar sem você
O apego não quer ir embora
Diaxo, ele tem que querer

Ó meu pai do céu, limpe tudo aí
Vai chegar a rainha
Precisando dormir
Quando ela chegar
Tu me faça um favor
Dê um banto a ela, que ela me benze aonde eu for

O fardo pesado que levas
Deságua na força que tens
Teu lar é no reino divino
Limpinho cheirando alecrim


Ao final da vivência, fomos convidados a registrar o que tudo aquilo significou. E eis o poema que fiz:

VERDADES

EU ME VI.
NAS HISTÓRIAS CONTADAS EU ESTAVA LÁ.
NA NETA QUE AMAVA A "Vó",
A NETA ERA EU E A AVÓ, MINHA TIA.
NO HOMEM QUE MUDA A SUA HISTÓRIA
POR UM AMOR VERDADEIRO,
EU SOU A "CLARA" E O HOMEM,
AQUELE QUE GOSTARIA QUE ME AMASSE DAQUELE JEITO!

NO GRUPO TEATRAL,
MEU DESEJO DE TEATRALIZAR.
E NOS OUTROS GRUPOS,
SOU O AFETO, NO SEU MODO CERTO DE CHEGAR.
MINHA TIA LENA FOI LEMBRADA COM TODA DIGNIDADE.
EU, MORRENDO DE SAUDADE,
A FIZ PRESENTE ENTRE NÓS.
E MEUS NOVOS AMIGOS,
VALÉRIA, SAMARA, RICARDO, PATRÍCIA E GG
DERAM-ME O PRAZER
DESSA INTEGRAÇÃO
COM A BELA CANÇÃO DE MARIA GADÚ.
AXÉ! MUITO AXÉ, DONA CILA!!!

o7 pecados - GULA

Não participei dessa vivência, mas já vivencio esse pecado diariamente. A GULA é o compartimento abstrato onde guardo minhas questões de oralidade. Concretamente vivo perigosamente nesse terreno movediço, pois o diabetes me persegue como herança de ancestralidade materna e paterna. Não sou diabética, mas existe o risco. Às vezes sobrevivo sem doces, às vezes não, a proibição me mobiliza. Por isso a música NÃO É PROIBIDO, de Marisa Monte traz uma identificação. Transcrevo-a abaixo e vou tentar postar o vídeo, senão aqui, na página inicial.

Não é Proibido

Marisa Monte

Composição: Marisa Monte / Dadi / Seu Jorge

Jujuba, bananada, pipoca,
Cocada, queijadinha, sorvete,
Chiclete, sundae de chocolate,

Uh!
Paçoca, mariola, quindim,
Frumelo, doce de abóbora com coco,
Bala juquinha, algodão doce e manjar.

Uh!
Venha pra cá, venha comigo!
A hora é pra já, não é proibido.
Vou te contar: tá divertido,
Pode chegar!

(uh)
Vai ser nesse fim de semana (uh)
Manda um e-mail para a Joana vir (uh)
Woo.. Uh!

(uh)
Não precisa bancar o bacana (uh)
Fala para o Peixoto chegar aí! (uh)

Traz todo mundo, 'tá liberado, é só chegar.
Traz toda a gente, 'tá convidado, é pra dançar,
Toda tristeza deixa lá fora; chega pra cá!
(uh)

Jujuba, bananada, pipoca,
Cocada, queijadinha, sorvete,
Chiclete, sundae de chocolate,

Uh
Paçoca, mariola, quindim,
Frumelo, doce de abóbora com coco,
Bala juquinha, algodão doce e manjar.

Uh
Venha pra cá, venha comigo!
A hora é pra já, não é proibido.
Vou te contar: tá divertido,
Pode chegar!

(uh)
Vai ser nesse fim de semana (uh)
Manda um e-mail para a Joana vir (uh)
Woo.. Uh!

Não precisa bancar o bacana (uh)
Fala para o Peixoto chegar aí! (uh)

Traz todo mundo, 'tá convidado, é só chega.
Traz toda a gente, 'tá liberado, é pra dançar,
Toda tristeza deixa lá fora; chega pra cá!

(uh)
Não precisa bancar o bacana (uh)
Fala para o Peixoto chegar aí! (uh)

(uh)
Yeah
(uh)

Bem, é isso. Enquanto essas questões se resolvem, vou procurar um leãozinho para beijar, só para me acalmar!