segunda-feira, agosto 29

Tarde te amei - Santo Agostinho

domingo, agosto 28

TARDE TE AMEI - texto de Sto. Agostinho

Hoje celebramos a memória de Agostinho. Nada mais prazeroso do que relembrar este texto escrito por ele. Maravilha! Compartilhemos:


Entrei no meu íntimo
Sob tua guia e o consegui
Porque tu te fizeste meu auxílio
Entrei e vi com os olhos do coração
A luz imutável forte e brilhante
Que conhece a verdade
Conhece esta luz

Ó eterna verdade
Verdadeira caridade
Tu és o meu deus
Por ti suspiro dia e noite
Desde que te conheci
E mostraste-me então quem eras
Iradiastes sobre mim a tua força
Dando-me o teu amor

Tarde te amei, tarde te amei
Ó beleza tão antiga e tão nova
Eis que estavas dentro e eu fora, e eu fora
Seguravam-me longe de ti as coisas
Que não existiriam senão em ti
Estavas comigo e não eu contigo, e não eu contigo
Chamaste, clamaste por mim e afugentaste minha surdez brilhaste, resplandeceste sobre mim
Lançando para longe minha escuridaão
Exalaste perfume e respirei
Tocaste-me e ardi por tua paz.

sábado, agosto 27

Interpretando a canção My Love

Algumas músicas em suas versões e novas roupagens são simplesmente encantadoras. Principalmente quando, além da melodia e interpretação instrumental, soma-se uma boa interpretação vocal.

Gosto de música. Canto. Confesso que tenho escutado pouca coisa, mas tenho curtido Corinne Bailey Rae e sua versão para My Love, de Paul McCartney. Estou muito sensibilizada com a Arteterapia e suas vivências mágicas e talvez esta nova fase de minha vida esteja ressignificando minha sensibilidade. Na verdade é isso mesmo. Sinto-me aberta ao Bem, ao amor, à natureza, à vida...de modo mais estruturador. E a música, de um modo geral, me faz entrar em contato com questões sutis e delicadamente significativas. Assim tem sido sempre que ouço a canção My Love, ultimamente. Sinto como se tivesse adentrado num caminho bucólico, ultrapassando um portal, conduzida a uma passagem secreta, prestes a me apropriar de um conhecimento sagrado, maior. Estranho, mas sinto isso tudo com essa música na voz de Corinne, que me reporta à Minnie Riperton do início dos anos 70 com sua inesquecível Lovin’ You, certamente uma referência.

Bem, já que a My Love de Corinne Bailey me induz a um percurso, vou seguir seus passos que me levam a uma simbologia. A meu ver, a música fala de uma permanência, de uma efemeridade que não macula o que fica, o que é e precisa estar fixo no ser. Fala de um amor que não passa, embora o movimento da relação seja configurada como uma passagem, numa dualidade entre o que permanece e o que se vai. Para tanto, há na música, algumas imagens que nos direcionam nessa compreensão: as mãos, os armários vazios e a chave.

Na cultura hebraica, a mão simboliza o conhecimento. A música canta I know my heart can stay with my love/It's understood/It's in the hands of my love (Eu sei que meu coração pode ficar com meu amor/É compreensível/Está nas mãos do meu amor). Nesse sentido, o coração se confia às mãos da pessoa amada com uma ternura convicta. Jean-Yves Leloup (1998), no seu livro O corpo e seus símbolos: uma antropologia essencial, cita o Evangelho apócrifo de Tomé, que diz “Teremos uma mão na nossa mão”, como que reverencia a vida contida na mão ou ainda a mão que comunica uma presença.

E a música segue cantando And when the cupboard's bare/I'll still find something there with my love (E quando os armários estão vazios
Eu ainda acho algo lá com meu amor). O vazio fala de morte e de renovação, daquilo que se vai para dar lugar a algo novo, a ser construído com o amor que ficou sutilmente a preencher o espaço vazio. Lembremos do cientista Robert Hooke que, no século XVII, analisando um pedaço de cortiça, observou que sua estrutura assemelhava-se a um favo de mel, com minúsculos orifícios esvaziados, formando uma dura membrana. A essa ausência que comunicava uma presença, Hooke denominou de “célula”. Assim nasceram os primeiros experimentos da Teoria Celular.

Ouçamos mais um pouco o que a música nos diz: Only my love holds the other key to me (Somente meu amor segura a outra chave para mim). A qual chave a composição se refere? A chave é um símbolo da abertura e do fechamento. Agrega poder a quem a possui. Na Bíblia, Jesus entrega a Pedro o poder de ligar e desligar. A iconografia cristã transforma esta passagem na imagem do apóstolo com “a chave do céu”. Há nesse gesto uma relação intrínseca de amor e poder entre o Mestre e seu discípulo, pois a quem muito amamos entregamos o poder da pertença do que nos é caro.
Símbolo de iniciação e de profunda espiritualidade, a chave também é um símbolo fálico, ligado à sexualidade. Em seu livro Sobre o amor, Jung vai dizer que o amor e o poder são sombra um do outro porque onde um impera o outro é anulado. Já para o grande líder negro, Martin Luther King, o poder abusivo é ausente de amor. Ao referir-se à “outra chave”, a letra traz esta dualidade do fim e do reinício, o corporal e o espiritual, aquilo que se encontra do lado de cá da porta, do coração e o que se encontra do outro lado.

A esta altura, interpreto ainda nessa canção, uma relação íntima do compositor consigo mesmo. Talvez o amor seja o seu próprio eu, afirmando-se, seguro de si na caminhada da vida, concluindo um ciclo e iniciando outro. Tendo encontrado a sua verdadeira essência, determinado a ser amor para si e para os outros peregrinos desta vida, quem sabe? Uma curiosidade é que foi com essa canção que Paul McCartney, em 1973, emplacou já sem os Beatles. Com os Wings, sua nova banda, que contava com Linda, sua esposa, tocando teclado e fazendo back, Paul reconquistou o seu público, reafirmando o seu talento.



Fontes consultadas
LELOUP,Jean-Yves. O corpo e seus símbolos: uma antropologia essencial. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
http://netopedia.tripod.com/biolog/celula.htm
http://entrehermes.blogspot.com/2010/03/sobre-o-amor-por-c-g-jung.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_McCartney

sexta-feira, agosto 26

My Love - Corinne Bailey Rae

TEMPESTADES


Certa vez presenciei uma tempestade no fim da primavera.
Estava tudo escuro, exceto onde o relâmpago cortava o céu.
O vento sibilava e as águas caíam, diluviais.
Que devastação! 

Mas não demorou muito, os relâmpagos cessaram, os raios silenciaram, a chuva parou, as nuvens se foram com o vento manso e apareceu o arco-íris.
Então, durante várias semanas os campos ficaram cobertos de flores, e por todo o verão a grama esteve mais verde, os ribeiros mais cheios e as árvores mais frondosas – tudo porque a tempestade havia passado por ali.

quinta-feira, agosto 25

Sobre os sugadores de energia

Encontrei o texto abaixo escrito por Cantynho dos Anjinhos em seu blog e achei bastante pertinente. Observo que há um ou outro vampiro em minha volta e isso me incomoda bastante. Porém estou lidando com isso de modo a resolver na Paz e até com humor. No trabalho tenho um colega assim. Dos modelos abaixo, não sei em qual ele se encaixa melhor, mas tenho uma oração poderosa contra esses vampiros, que disponho ao final. Vamos ao texto:

VAMPIRISMO PSIQUICO: ELES ESTÃO MAIS PRÓXIMOS DO QUE SE POSSA PENSAR

Quando se fala em vampiros, a imagem que nos vem à cabeça é a do Conde Drácula; porém devem ter cuidado porque existe um tipo de vampiro, feito de carne e osso, que vive ao nosso lado. Eles são os “vampiros de energia”, pessoas que convivem diariamente connosco e podem fazer um grande estrago em nossas vidas. Como identifica-los? É fácil! Sabe quando você conversa com uma pessoa e, ao se afastar, sente-se cansado ou mal-humorado de repente e não consegue descobrir o porquê? Aposto que conhece alguém assim! Os vampiros de energia, na maioria das vezes, actuam inconscientemente, ou seja, suga a energia das suas vítimas sem saber. Isso ocorre porque eles não conseguem absorver energia de fontes naturais (cósmicas, telúricas, etc.), tão abundantes, e ficam desequilibradas energeticamente. Precisam então, encontrar outras fontes e as mais próximas são as pessoas.

VAMPIRO COBRADOR: Cobra sempre tudo e de todos. Quando nos encontramos com ele, logo vem a pergunta do porque não lhe telefonamos ou visitamos. Se você vestir a carapuça e se sentir culpado, abre as portas. Use a sua própria arma, ou seja, cobre de volta e pergunte porque ele não liga ou aparece. Deixe-o confuso, não permita que ele retruque e se retire rapidamente.


VAMPIRO CRÍTICO: É aquele que critica tudo e todos usando comentários destrutivos. A maledicência tende a criar á vítima, um estado de alma pesado e abrirá o seu sistema para que a energia seja sugada. Diga “não” às suas criticas. A vida não é assim. O melhor é cortar todo o tipo de contacto com essas pessoas.

VAMPIRO ADULADOR: É o famoso engraxa. Adula o ego da vítima, cobrindo-a de elogios falsos. Muito cuidado para não dar ouvidos ao adulador, pois ele espera que o orgulho da vítima abra as portas da aura.

VAMPIRO RECLAMADOR: É o que reclama de tudo e de todos, da vida, do governo, do tempo… reivindicando e protestando sem parar. O mais engraçado é que nem sempre dispõe de argumentos sólidos para justificar os seus protestos. A melhor táctica é deixá-lo falando sozinho.

VAMPIRO INQUISIDOR: Sua língua é uma metralhadora. Dispara perguntas sobre tudo e não dá tempo para responder. Na verdade, ele não quer respostas, e sim desestabilizar o equilíbrio mental da vítima, perturbando o seu fluxo normal de pensamentos. Para cortar o seu ataque, reaja fazendo-lhe uma pergunta pessoal, e tente afastar-se o mais rápido possível.

VAMPIRO LAMENTOSO: São os lamentosos profissionais, que choram as suas desgraças. Para sugar a energia da vítima, ataca pelos lados emocional e afectivo. Lamenta-se e faz de tudo para despertar a pena. É sempre o coitado, a vítima. Só há uma maneira de lidar com esse tipo de vampiro, é cortar as suas asas. Diga que não gosta de queixas, porque elas não resolvem as situações.

VAMPIRO PEGAJOSO: Investe contra as portas da sexualidade da vítima. Aproxima-se como se quisesse engoli-lo com os olhos. Se não escapar rápido, ele suga a sua energia, seja seduzindo-o com o seu jogo, seja provocando náuseas e repulsa. Em ambos os casos, você está destabilizado e vulnerável. Invente uma desculpa e fuja rapidamente.

VAMPIRO GRILO FALANTE: Fala durante horas sem recuperar o fôlego e enquanto mantém a atenção da vítima, suga a sua energia vital. Para se livrar, invente uma desculpa, levante-se e vá embora.

VAMPIRO HIPOCONDRÍACO: Cada dia aparece com uma doença nova. Adora coleccionar as caixas de remédios, sabe o nome de todos. Desse jeito, chama a atenção de todos, despertando preocupação e cuidados. Enquanto descreve os pormenores dos seus males e conta os seus infindáveis sofrimentos, rouba energia do seu ouvinte, que depois se sente péssimo. Deve afastar-se e contrapor.

VAMPIRO ENCRENQUEIRO: Para ele, o mundo é um campo de batalha, no qual as coisas só são resolvidas com a violência. Faz com que a vítima entre na sua briga, provocando nela um estado agressivo. Este é um método eficiente para destabilizar a vítima e roubar-lhe energia. Procure manter a calma e corte laços com este tipo de pessoa.
Bem, agora já que conhece como os vampiros de energia agem, fuja deles o mais rápido possível. Mas não se esqueça de verificar se você, sem querer, não é um deles também, se por acaso o for tente mudar a sua postura em relação à vida e às pessoas.

Fonte consultada 
http://primeirosensinamentos.blogspot.com/2008/07/vampirismo-psiquico.html

KKKKKKKKKKK Muito engraçado. Conheço uma pessoa para cada descrição supracitada (MISERICÓRDIA!!!) E ainda assim o colega de trabalho a quem me referi no início tem uma outra definição:

Vampiro Fita Dupla Face - é aquele que nos admira, olha o tempo todo, contemplando. Elogia e cria fã-clube. No entanto, como está inseguro e sem energia por assumir muitas atividades em todas as áreas da sua vida, tem medo da competência e eficiência da pessoa admirada. É aquela pessoa que de vez em quando surge com brincadeirinhas despreciativas,  atraindo outras pessoas para fazerem o mesmo, pois é só brincadeirinha.  Ou seja, cola de um lado e de outro. Seu intuito é nos desestabilizar. Também gosta de focar e ampliar um pequeno defeito ou até inventar um mal estar seu. É a pessoa que pergunta "O que você tem? Tá com um olhar estranho!". Ele sente que tá enchendo o saco, faz de tudo pra nos tirar do sério e acha justo porque como ele demonstra o tempo todo  (?) o seu "carinho", pensa que aturá-lo faz parte da nossa generosidade.

Para todos eles minha oração é :

TODOS ESTÃO A MEU FAVOR (4X).
OS BONS, PELA ÍNDOLE
E OS MAUS, PELA SUBMISSÃO AO PODER DO SANTO NOME DO SENHOR JESUS,
QUE ESTÁ COMIGO E É POR MIM! AMÉM.

Não há mal que resista! Mas é preciso crer no que se reza e desejar, de coração, que essas pessoas se encontrem com Deus verdadeiramente.

quinta-feira, agosto 18

Contemplando as chagas e os lírios brancos

Ontem, em meus colóquios sagrados com o Rei, senti-me chamada a observar com um olhar delicado, as imagens projetadas por mim em minha visualização JESUS, MARIA E OS LÍRIOS BRANCOS, compartilhada na página VISUALIZAÇÕES E SONHOS.

Não se trata de trazer Jesus como um deus absolutista, mas como uma pessoa que transmite uma identidade mitológica, o mito do herói, inspirando reflexões mobilizadoras, pois o mito do herói  representa a transição psíquica que fazemos entre uma fase de nossas vidas e a fase seguinte. O herói sempre começa sua jornada saindo de um lugar de conforto, em busca de algo maior e em seu caminho encontra inimigos, supera dificuldades e acaba retornando de onde veio, mas transformado em um campeão. Vejamos:
 
1.       O homem chagado que entra no quarto... Diante de tantas situações vividas, os arquétipos são constelados, chamados por nós inconscientemente para nos ajudar a encarar aquilo que necessita de cuidados, trazendo à consciência questões a serem resolvidas. Quando Jesus entra no quarto e o vejo nu e chagado, há um confronto com as minhas próprias chagas, feridas, sofrimentos vivenciados, ali desnudados. Jesus está virado pelo avesso, expondo o seu interior, como o Cristo da Paixão de Cristo de Mel Gibson, tendo à mostra os seus conteúdos psíquicos de dor materializados no corpo.
2.       ...trazendo grandes lírios brancos. Mas mesmo na dor e talvez até pela dor que ele assume, é capaz de um gesto generoso e solidário. O lírio branco é símbolo de pureza, transparência e sinal da Virgem Maria. Jesus faz referência à sua mãe, revelando a intimidade complementar que os une. Ela é sua anima e ele é seu animus. Assim como Maria o carrega nos braços, ele também a carrega em forma de lírio. Colocados na cama, em posição horizontal, Jesus e o lírio comunicam a PRESENÇA no mundo, a equiparação com os seres mortais. Nesse momento, eu que sempre fui feliz, que sempre transmito alegria, vejo-me ali, assumindo meus momentos difíceis. Eu posso sofrer também, não sou infalível, sou humana.
3.       Deitados um em frente ao outro: espelho. É nesse momento que enxergo a aparência penosa de suas feridas. Sinto como se estivesse visualizando as suas células, pequenas mandalas de sangue e pus e sinto um pouco do ardor de suas chagas em contato com o lençol alvíssimo, num impressionante contraste. Seus olhos não estão mais abertos como quando entrou, mas fechados, convidando-me a uma interiorização. Quem sou eu e porque tanto sofrimento? Por que permiti que fizessem aquilo comigo? E quais as dores reais sentidas? Seria aquela imagem uma ampliação da realidade? Seria uma versão esteticamente exagerada das dores reais? Questionamentos. Penso, enfim, que fui poupada por Cristo suas chagas, pois sendo Ele o Rei dos rei, sofreu tudo por mim, no meu lugar. Contemple, então o que seriam meus sofrimentos, num imenso close, caso o Rei, o herói vencedor, não tivesse passado em minha frente.
4.       Maria coloca o Menino Jesus entre o Cristo e os lírios. E esta presença traz  renovação. O homem no fim da vida traz o medo do fracasso, da morte. A criança, mesmo chorando lágrimas de sangue como sua mãe, traz a esperança de uma mudança maior, pois tem a vida toda pela frente. Vejo nessa presença pura a pureza do meu próprio coração, que as durezas da vida sempre tentaram em vão contestar.
5.  Lírios grandes, brancos e cheirosos. Como estes lírios, com seu frescor e sem manchas, foram reconfortantes. A entrada d@s sant@s ofertando as minhas flores preferidas, comunicaram uma solidariedade coletiva. Senti a não solidão, a conexão com o cosmos, a parte integrada ao todo.
6.  Mandala. Por fim a grande mandala dizendo que o amor é atemporal e incondicional. Todas aquelas pessoas e suas realidades psíquicas, físicas e espirituais realizaram a jornada do herói e venceram. E eu estou passando por uma fase decisiva para vencer meus medos e obstáculos em busca de mim mesma e dos meus sonhos.

    Desejo passar muito bem por tudo, superando os meus inimigos internos e externos ,  de frente, com dignidade e respeito, mergulhada completamente na ARTETERAPIA!

quarta-feira, agosto 17

Monge e Escorpião - Luz e sombra no mesmo ser

Adentrando na historinha da postagem anterior, O Monge e o Escorpião, sou levada a uma análise sobre mim mesma, com a intenção honesta de rever as minhas reações e emoções frente aos relacionamentos do dia-a-dia. Quando assumo o monge que há em mim? e quando ajo como escorpião?

Percebo que o monge é benvindo na quietude, quando estou em paz comigo mesma, nos meus momentos sagrados de oração e meditação. Nessas experiências, o monge tranquilamente comunga com a paisagem serena e terna, tranquila e silenciosa, comunicando um Amor maior. Mas às vezes o monge se torna inconveniente, quando persiste, excessivo, mascarando a sombra, podendo fazer com que o escorpião, que surge, cresça assustadoramente.


Ele, o escorpião, nos diz o seu simbolismo astrológico que, se por um lado é "incapaz de viver muito tempo na calma, é apaixonado por transformações...e não lhe faltam resistência nem energia... sente-se diferente dos outros e raramente está livre de tensões...Não gosta de ser contrariado"; por outro é "Lúcido, de espírito penetrante, crítico e perspicaz...Percebe nos outros o 'defeito da couraça'...e se responsabiliza pelo que lhe acontece". Vejo nessa sombra um amigo que, contrariado e negligenciado, torna-se inimigo. Assim como vejo nesse "inimigo" um amigo excluído, incompreendido e não aceito, muitas vezes. Por que o escorpião agride o monge impiedosamente? Não seria uma reação ao fato do monge negar a natureza do bicho, tratando-o como uma ave ou um inseto, numa atitude impensada e arrogante, por se enxergar em status superior, humano e em maior estatura, entre outros aspectos? Talvez sim, talvez não. Depende do que sentimos e do que assumimos em determinadas circunstâncias, nas intercessões entre espaço e tempo.


Sempre tive muita dificuldade em conviver com a minha sombra, mas a Arteterapia me convida a uma abertura sincera e sem preconceitos ocidentais ou de qualquer natureza. Hoje prefiro o movimento natural nas relações entre luz e sombra, uma complementando a outra. No passado, o monge procurou muitos escorpiões para salvar. Umas vezes por necessitar do amor dos seus discípulos. Outras vezes por não aceitar as diferenças entre ele e o escorpião. E outras tantas por achar que merecia ser picado. E o escorpião, coitado, quantas vezes se suicidou, ressurgindo como “um negro gato de arrepiar” em suas mitológicas sete vidas? No entanto, quando o monge abriu seu coração para se amar de verdade, viu no espelho do seu rio interior, o escorpião  banhando-se nas águas profundas. Então, compreendendo e aceitando a si mesmo, aos seus discípulos, a natureza interna e entorno e ao escorpião, que talvez não quisesse ser salvo, aprendeu como é maravilhoso ser "apaixonado", "perspicaz" e responsável por si mesmo, entre outras tantas virtudes que seu amigo lhe comunicou, contaminando-o com suas picadas transformadoras. A generosidade não é unilateral. Que bom, não? E todos comemoramos!

segunda-feira, agosto 15

A Natureza de cada criatura

Olá, pessoas

        De volta por aqui, trago uma reflexão sobre as diversas formas que escolhemos de responder aos estímulos (e desestímulos obviamente) em nossos relacionamentos com pessoas. Nesta historinha simples da sabedoria oriental, quanta profundidade...Vejamos:

O MONGE E O ESCORPIÃO
 
Monge e discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas.
O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o bichinho o picou e, devido à dor, o monge deixou-o cair novamente no rio.
Foi então à margem, tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez a correr pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou.
Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.
- Mestre, deve estar doendo muito! Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda! Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!

O monge ouviu tranqüilamente os comentários e respondeu:
- Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha. 

(Autor desconhecido)


Obs.: Descrição da imagem: Na paisagem diurna de uma floresta, 05 monges sentados à beira de um lago tranquilo, no qual descansa uma canoa, observam a comunicação entre seu Mestre e um escorpião.