quinta-feira, agosto 18

Contemplando as chagas e os lírios brancos

Ontem, em meus colóquios sagrados com o Rei, senti-me chamada a observar com um olhar delicado, as imagens projetadas por mim em minha visualização JESUS, MARIA E OS LÍRIOS BRANCOS, compartilhada na página VISUALIZAÇÕES E SONHOS.

Não se trata de trazer Jesus como um deus absolutista, mas como uma pessoa que transmite uma identidade mitológica, o mito do herói, inspirando reflexões mobilizadoras, pois o mito do herói  representa a transição psíquica que fazemos entre uma fase de nossas vidas e a fase seguinte. O herói sempre começa sua jornada saindo de um lugar de conforto, em busca de algo maior e em seu caminho encontra inimigos, supera dificuldades e acaba retornando de onde veio, mas transformado em um campeão. Vejamos:
 
1.       O homem chagado que entra no quarto... Diante de tantas situações vividas, os arquétipos são constelados, chamados por nós inconscientemente para nos ajudar a encarar aquilo que necessita de cuidados, trazendo à consciência questões a serem resolvidas. Quando Jesus entra no quarto e o vejo nu e chagado, há um confronto com as minhas próprias chagas, feridas, sofrimentos vivenciados, ali desnudados. Jesus está virado pelo avesso, expondo o seu interior, como o Cristo da Paixão de Cristo de Mel Gibson, tendo à mostra os seus conteúdos psíquicos de dor materializados no corpo.
2.       ...trazendo grandes lírios brancos. Mas mesmo na dor e talvez até pela dor que ele assume, é capaz de um gesto generoso e solidário. O lírio branco é símbolo de pureza, transparência e sinal da Virgem Maria. Jesus faz referência à sua mãe, revelando a intimidade complementar que os une. Ela é sua anima e ele é seu animus. Assim como Maria o carrega nos braços, ele também a carrega em forma de lírio. Colocados na cama, em posição horizontal, Jesus e o lírio comunicam a PRESENÇA no mundo, a equiparação com os seres mortais. Nesse momento, eu que sempre fui feliz, que sempre transmito alegria, vejo-me ali, assumindo meus momentos difíceis. Eu posso sofrer também, não sou infalível, sou humana.
3.       Deitados um em frente ao outro: espelho. É nesse momento que enxergo a aparência penosa de suas feridas. Sinto como se estivesse visualizando as suas células, pequenas mandalas de sangue e pus e sinto um pouco do ardor de suas chagas em contato com o lençol alvíssimo, num impressionante contraste. Seus olhos não estão mais abertos como quando entrou, mas fechados, convidando-me a uma interiorização. Quem sou eu e porque tanto sofrimento? Por que permiti que fizessem aquilo comigo? E quais as dores reais sentidas? Seria aquela imagem uma ampliação da realidade? Seria uma versão esteticamente exagerada das dores reais? Questionamentos. Penso, enfim, que fui poupada por Cristo suas chagas, pois sendo Ele o Rei dos rei, sofreu tudo por mim, no meu lugar. Contemple, então o que seriam meus sofrimentos, num imenso close, caso o Rei, o herói vencedor, não tivesse passado em minha frente.
4.       Maria coloca o Menino Jesus entre o Cristo e os lírios. E esta presença traz  renovação. O homem no fim da vida traz o medo do fracasso, da morte. A criança, mesmo chorando lágrimas de sangue como sua mãe, traz a esperança de uma mudança maior, pois tem a vida toda pela frente. Vejo nessa presença pura a pureza do meu próprio coração, que as durezas da vida sempre tentaram em vão contestar.
5.  Lírios grandes, brancos e cheirosos. Como estes lírios, com seu frescor e sem manchas, foram reconfortantes. A entrada d@s sant@s ofertando as minhas flores preferidas, comunicaram uma solidariedade coletiva. Senti a não solidão, a conexão com o cosmos, a parte integrada ao todo.
6.  Mandala. Por fim a grande mandala dizendo que o amor é atemporal e incondicional. Todas aquelas pessoas e suas realidades psíquicas, físicas e espirituais realizaram a jornada do herói e venceram. E eu estou passando por uma fase decisiva para vencer meus medos e obstáculos em busca de mim mesma e dos meus sonhos.

    Desejo passar muito bem por tudo, superando os meus inimigos internos e externos ,  de frente, com dignidade e respeito, mergulhada completamente na ARTETERAPIA!

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